PÓS COLHEITA

O cenário atual da cafeicultura exprime uma tendência para a produção cada vez maior de cafés diferenciados de alta qualidade, se tornando uma alternativa interessante para o produtor agregar valor ao seu produto aumentando sua rentabilidade.

A produção de cafés de alta qualidade depende principalmente de um planejamento eficaz de cada etapa da cadeia produtiva do café. Dentre elas, a pós-colheita se destaca como uma das mais importantes, incluindo nessa etapa as fases de processamento, secagem, beneficiamento, e armazenamento do café. Etapas estas, responsáveis pela qualidade final da bebida, realçando características como aroma, doçura, sabor, acidez e corpo.

Inicialmente, na fase de preparo e processamento, o café recém-colhido deve ser limpo (abanado) para a remoção de impurezas e matérias estranhas, como folhas, ramos, terra, paus e pedras. Após a abanação, ainda no mesmo dia preferencialmente, é recomendado que o café seja submetido ao processo de lavagem e separação, retirando impurezas remanescentes e separando os frutos em dois grupos: cereja e verdoengos;  e os “boias”, grãos que estão nos estágios passa/secos ou danificados.

Em sequência, na etapa de lavagem e separação, podem ser adotadas operações que caracterizam o processamento por via seca ou por via úmida. No processamento por via seca, os frutos separados por lotes são encaminhados diretamente para a fase de secagem, no qual são secos integralmente e dão origem aos cafés em coco ou natural. Já no processo por via úmida, lotes com predominância de frutos cerejas passam pelas operações de despolpamento, fermentação e remoção da mucilagem, destinados, posteriormente, à fase de secagem. O investimento por via seca é menor do que no processamento por via úmida.

Após a lavagem, vem a etapa da secagem, onde os grãos processados por qualquer uma das opções (via seca ou por via úmida) precisam passar. Ela consiste na remoção da parte da água desses cafés – que devem atingir um teor de umidade entre 10,5% a 11,5% – para que obtenham condições adequadas para beneficiamento, armazenagem e comercialização. Podem-se recomendar métodos de secagem diferentes em função das condições climáticas da região, desde que se evite a fermentação e que o café não seja submetido a temperaturas elevadas por muito tempo. É preciso ter cautela com temperaturas acima dos 40ºC.

A secagem do café pode ser feita por diferentes métodos. Alguns utilizam energia solar e ventilação natural (como o terreiro suspenso e o terreiro secador coberto) e aquecimento por combustão de biomassa e ventilação forçada (como o secador rotativo ou de caixa).

O beneficiamento é considerado como uma etapa responsável por aprimorar a qualidade da café, devido à eliminação das cascas e a separação dos grãos por diferenças físicas, originando o café beneficiado. É interessante que o beneficiamento seja realizado o mais próximo possível da comercialização, para que as características originais do produto sejam conservadas. Exemplificando, o café em coco quando armazenado em condições ideais (temperatura, umidade, luminosidade) tende a manter algumas características como a cor do grão e a umidade.

Uma das etapas do beneficiamento é a limpeza, onde ocorre a separação de impurezas, sendo realizada por um conjunto de peneiras de diferentes tamanhos e tipos de furos. A segunda etapa consiste no descascamento do café onde ocorre a retirada da casca, sendo essa separada do grão pela própria máquina de beneficiamento.

Alguns cuidados a serem observados antes do beneficiamento: Umidade: ideal entre 10 e 12%, onde abaixo de 10% poderá ocorrer quebra de grãos, e acima de 12% o produto poderá ficar comprometido durante armazenamento. Maquinário: a máquina usada para beneficiar o café deve estar limpa e corretamente regulada para evitar possíveis perdas, como quebra de grãos e mistura dos grãos com cascas.

Com os grãos já beneficiados é possível fazer a classificação do café, na qual são utilizadas máquinas com peneiras e/ou ventilação que separam os grãos por tamanho e densidade. É comum utilizar também mesas dessimétricas e maquinário para a detecção e eliminação de grãos defeituosos.

O café deve ser armazenado de forma adequada para que sua qualidade seja garantida. Os tipos mais comuns de armazenamento são em tulhas, em sacarias de juta e mais recentemente, em big bags. O armazenamento em tulhas possui a vantagem de o cafeicultor ter a opção de estocar maior quantidade de produto por unidade de área. Entretanto, devem-se tomar alguns cuidados, como: manter o ambiente fresco e limpo, evitar o excesso de umidade e cuidados com insetos e animais. Já no armazenamento em sacos de juta e em big bags há vantagens como a possibilidade da separação de lotes, a facilidade de acesso e a maior organização do espaço. É importante ressaltar que os sacos não devem entrar em contato com o chão e parede para evitar o excesso de umidade, utilização de estrados para manter a circulação de ar entre as sacarias.

 Um fato importante e que ocorre com frequência é o branqueamento dos grãos, um indicativo de má armazenagem. Esse fato é caracterizado pela perda de cor dos grãos e, consequentemente, a queda da qualidade de bebida. Alguns fatores de grande influência são a umidade, a temperatura e o tempo de estocagem.

 Deve se ressaltar que as etapas de pós-colheita não melhoram a qualidade do café, mas possibilitam que seja preservada a qualidade inicial que havia sido pré-determinada no campo, pela interação genótipo x ambiente. Assim é de suma importância um processamento pós-colheita bem realizado para que todos os benefícios adquiridos anteriormente sejam conservados.

Eng. Agrônomo e Téc. em Agropecuária Frankciano Rosa Mendes

Referencias Bibliográficas: 

(Pós-colheita: essencial para qualidade do seu café). Disponível em: https://www.cafepoint.com.br/noticias/tecnicas-de-producao/poscolheita-essencial-para-qualidade-do-seu-cafe-90957n.aspx. Acesso em: 13/08/2019.

 

(Boas práticas de pós-colheita influenciam na qualidade dos grãos). Disponível em: https://www.cafepoint.com.br/noticias/tecnicas-de-producao/boas-praticas-de-poscolheita-influenciam-na-qualidade-dos-graos-209666/. Acesso em 13/08/2019.

Análise de solo

O agricultor moderno deve empregar tecnologia adequada do plantio até a comercialização da produção, esses são requisitos básicos para que um empresário agrícola obtenha sucesso na atividade rural.

Como são muitos os fatores que atuam sobre as plantas que irão definir a produção para uma determinada área, nenhuma técnica isolada poderá garantir boa produtividade. O sucesso estará, portanto, em compreender o que a planta necessita e ajustar o meio para que este corresponda as necessidades da cultura. E isso, normalmente, não se faz adotando numa única técnica, mas sim um conjunto de medidas e uma delas é análise química de terra.

O que é análise de solo?

Essa é uma dúvida muito frequente. Análise de solo é uma espécie de exame médico feito no solo, a fim de saber quais as suas propriedades físico-químicas, como o Ph, quantidade de matéria orgânica, NPK, etc. A partir da análise de solo é possível saber qual a quantidade de cada nutriente presente em determinada área.

Com o conhecimento das características do solo fica fácil saber quanto de adubo aplicar e em que lugar, garantindo a uniformidade nutricional do solo.

É importante realizar a análise química da terra porquê é do solo que as plantas retiram os nutrientes necessários para seu crescimento e desenvolvimento, e para certificar de que o solo dispõe dos nutrientes que elas precisam, será necessário providenciar uma análise da fertilidade do mesmo, a qual permitirá fazer uma avaliação prévia da real disponibilidade desses nutrientes no solo. Entre outras informações, a análise irá determinar o Ph do solo (acidez), teores de alumínio, cálcio, magnésio, teores de fósforo, teores de K, teores de S, matéria orgânica e tipo de textura do solo.

Portanto a análise do solo é o melhor meio para avaliar a fertilidade do solo, uma vez em que, com base nos seus resultados, será possível determinar as doses adequadas de calcário e adubo que garantirão a maior produtividade e lucratividade das culturas.

Dessa forma, todos os técnicos que prestam serviços a uma propriedade agrícola devem estar convenientemente preparados para resolver questões relacionadas a interpretação de análise de terra para fins das recomendações para uma boa fertilidade e uma produtividade melhor para os agricultores.

Consultor Agronômico: Juliano R. Chaves.

Fonte: Departamento de Ciência do Solo, da Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz (ESALQ).

Dr. Malavalta e Dr. Cantarella.

Calagem no cafeeiro

 

Você sabe o que significa o termo calagem?

O termo deriva da palavra calcário, que é o corretivo do solo mais usado na agricultura comercial. Calagem é, portanto, a aplicação de um corretivo no solo, com a finalidade de corrigir a acidez, aumentar o PH e melhorar o aproveitamento de macronutrientes, além de fornecer cálcio e magnésio, que são macronutrientes essenciais, e neutralizar os efeitos prejudiciais do alumínio, ferro e manganês, quando em níveis tóxicos.

Além da acidez, a capacidade tampão do solo e a capacidade de troca de cátions (CTC) influenciam na dose necessária de calcário para obtenção dos efeitos desejados. Esse tampão atua para manter inalterada a concentração de hidrogênio (H+) na solução do solo, mesmo em doses crescentes de corretivo. Quanto maior o teor de argila (de boa qualidade) e de matéria orgânica, maior a capacidade tampão.

https://lh4.googleusercontent.com/

Solos mais tamponados (maior capacidade tampão), necessitam de mais calcário para elevar seu pH do que solos menos tamponados (menor capacidade tampão). A capacidade tampão relaciona-se diretamente com os teores de argila e de matéria orgânica do solo, assim como com o tipo de argila. 

Quanto maiores os teores de argila e de matéria orgânica do solo, maior quantidade de calcário deve ser utilizada para corrigi-lo.

O corretivo de solo é todo produto que contém substâncias capazes de corrigir algumas características do solo desfavoráveis às plantas. Um dos principais corretivos da acidez do solo é a rocha calcária moída que comercialmente é denominada calcário.

Por que devo aplicar calcário?

Grande parte dos solos utilizados para o cultivo do café no Brasil, apresenta características químicas inadequadas para o pleno desenvolvimento das plantas e para a obtenção de elevadas produtividades. 


Dentre essas características,podemos citar : elevada acidez, altos teores de Al trocável (Al3+) e deficiência dos nutrientes Ca e Mg, as quais são inadequadas por efeitos diretos ou indiretos sobre as plantas. A elevada acidez do solo (baixo pH) se caracteriza por efeito direto dos íons H+ sobre as raízes, além de reduzir a disponibilidade de diversos nutrientes e aumentar o efeito da toxidez de alumínio,altos teores de Al3+ no solo são tóxicos para as plantas e a deficiência de Ca e Mg por si só já se explica, uma vez que estes são elementos essenciais para a nutrição adequada das plantas.

A calagem, ou melhor dizendo, a aplicação de calcário, se realizada corretamente, pode corrigir ou diminuir esses efeitos negativos, elevando o potencial agrícola dos solos e, consequentemente, aumentando a produtividade das lavouras.

Fonte: Malavolta, 1989

Entenda os efeitos da calagem:

– Adiciona cálcio (Ca), magnésio (Mg) ou ambos e eleva o pH.

– Diminui lixiviação de potássio (K).

– Diminui fixação de fósforo (P).

– Diminui, em alguns solos, a disponibilidade de boro (B), manganês (Mn) e zinco (Zn).

– Aumenta disponibilidade de molibdênio (Mo).

– Aumenta a atividade microbiológica (acelera a decomposição da matéria orgânica – M.O.).

– Torna mais adequadas as condições do solo para a atuação de bactérias fixadoras de nitrogênio.

– Aumenta, na solução do solo, as cargas pH dependentes.

– Induz, dependendo da quantidade aplicada, a movimentação de cálcio e magnésio em maior profundidade.

Onde aplicar? Como aplicar?

Assim como na amostragem de solo e na aplicação do adubo de produção, a aplicação do calcário também deve ser no local de maior atividade radicular, ou seja, sob a saia do cafeeiro. Quando for necessário corrigir o solo também nas entrelinhas, é recomendada a aplicação do calcário em toda a extensão do terreno, cuidando para que a aplicação sob a saia do cafeeiro não seja negligenciada.

Formas de aplicação 
Em regiões montanhosas, a aplicação é feita manualmente, distribuindo sobre o cafeeiro ou em toda a área.

Consultor Agronômico – Pattryck Yan N. Vitor De Oliveira

 

 

Referências bibliográficas

Manual do Café Manejo de Cafezais em Produção desenvolvido pela Emater – MG.

MALAVOLTA, E. ABC da adubação. Editora Agronômica CERES, São Paulo, 1989.

https://www.cafepoint.com.br/noticias/tecnicas-de-producao/necessidade-de-calagem-para-a-cultura-do-cafe-297n.aspx

https://www.cafepoint.com.br/noticias/tecnicas-de-producao/calagem-no-cafeeiro-210519/

Ferrugem do Cafeeiro

A doença foi constatada no Brasil na década de 70 e sua disseminação se deu rapidamente atingindo todas as regiões cafeeiras se tornando a principal doença da Cultura. Tendo como causador o fungo Hemileia vastatrix que ao infectar as folhas, estas apresentam uma massa de esporos de cor laranja ou amarela na face inferior e uma mancha clorótica na face superior, diminuindo a área foliar a ativa, e em seguida, induzem a queda precoce das folhas atacadas.

Fonte: Procafé

As plantas assim desfolhadas perdem suas reservas, o crescimento dos ramos laterais é prejudicado, podendo até mesmo levar a morte destes, consequentemente influenciando negativamente o vigamento da florada futura. Os prejuízos nas regiões cafeeiras onde as condições climáticas são favoráveis, a doença atinge em média 35% da produtividade.

O desenvolvimento do fungo é favorecido por umidade relativa alta, baixa luminosidade (microclima em plantio adensado), temperatura média entre 20 e 24º C baixa altitude, alto índice de enfolhamento e alta carga pendente. A ferrugem ataca inicialmente as folhas da barra do cafeeiro evoluindo para o ápice da planta, em infecções generalizadas.

O controle da ferrugem deve ser feito através da adoção de práticas cultural e controle químico. O emprego de cultivares resistente ou tolerante e adubação equilibrada são exemplos de prática cultural eficiente. Para o controle químico recomenda-se controle preventivo e curativo quando necessário. Sendo que o preventivo deve ser feito a partir do início no período chuvoso, aplicações via foliar e/ou via solo. E o controle curativo assim que  o nível de infestação atingir 5%, aplicações via foliar.

As formas de controle apresentadas tem suas vantagens e desvantagens, cabe ao técnico junto o produtor, estudar e posicionar racionalmente aquela que seja a mais adequada a situação, para que sua atividade continue sustentável por um longo período de tempo.

Consultoria Agronômica – Flávia de Paula Ângelo

Referências:

CHALFOUN, S. M.; ZAMBOLIM, L. Ferrugem do cafeeiro. In: EPAMIG (ed.). Café. Belo Horizonte: Informe Agropecuário, v.11:126, 1985. p.42-46.

 

MESQUITA, C. M. et al. Manual do café: distúrbios fisiológicos, pragas e doenças do cafeeiro (Coffea arábica L.). Belo Horizonte: EMATER-MG, 2016. 62 p. il.